João Paulo Skipy
Portfólio

Turnê Expedição – Lapinha da Serra emprestou sua paisagem.

Eventos

Fui escolhido entre mais de 300 fotógrafos.

Existem frases que mudam o peso da câmera antes mesmo de colocá-la nas costas.

“Você foi escolhido entre mais de 300 fotógrafos.”

Quando ouvi isso, a primeira coisa que pensei não foi em comemorar. Pensei em quantas pessoas incríveis existem fazendo fotografia hoje. Pensei nos amigos que admiro, nos profissionais que acompanho há anos, em tantos olhares diferentes, tantos estilos, tantas histórias sendo contadas de formas únicas. Sei o quanto cada um se dedica para construir seu próprio caminho.

E talvez seja justamente por isso que essa escolha tenha ganhado um significado tão grande para mim.

Porque ser escolhido entre tantos profissionais talentosos não alimenta o ego.

Aumenta a responsabilidade.

A Turnê Expedição desembarcou na Lapinha da Serra para realizar o Festival da Música e da Arte de Montanha. Um lugar onde a natureza não serve apenas de cenário. Ela faz parte da experiência.

É curioso como alguns lugares conseguem mudar completamente a forma como vivemos um evento.

Ali, as montanhas abraçam o horizonte.

O lago reflete a luz do fim da tarde.

O vento atravessa as canções.

E, por alguns instantes, parece que a música passa a pertencer àquele lugar.

Foi nesse cenário que centenas de pessoas se reuniram para viver algo raro nos dias de hoje: a oportunidade de desacelerar. De sentar na grama, observar a paisagem, ouvir boa música e simplesmente estar presente.

Enquanto todos estavam voltados para o palco, eu precisava olhar um pouco além dele.

Meu trabalho era encontrar os detalhes que quase sempre passam despercebidos.Os olhares atentos.

Os sorrisos discretos, a luz mudando de cor sobre as montanhas.

Porque fotografar um evento como esse não é apenas registrar quem estava ali.

É guardar a atmosfera de um momento que nunca mais acontecerá da mesma forma.

Sempre digo que fotografia é confiança.

Quem organiza um evento não entrega apenas uma câmera para alguém.

Entrega a responsabilidade de preservar algo que nunca mais vai acontecer daquela forma.

Passei o fim de semana inteiro com esse pensamento.

Cada fotografia precisava fazer justiça à confiança que depositaram em mim.

Hoje, olhando cada fotografia pronta, percebo que o mais importante nunca foi ter sido escolhido entre mais de 300 fotógrafos.

O mais importante foi ter recebido a confiança de contar uma história que só aconteceu uma única vez.

A Lapinha da Serra ofereceu sua imensidão.

A música encontrou um palco que nenhum teatro seria capaz de construir.

As pessoas levaram seus sorrisos, seus abraços, seus silêncios e a vontade de viver algo que fugisse da pressa do dia a dia.

E eu tive o privilégio de transformar tudo isso em memória.

Talvez minha fotografia seja isso.

Não pelas viagens.

Não pelos lugares.

Nem pelos números.

Mas porque, de vez em quando, a vida coloca diante da minha câmera momentos que jamais poderão ser repetidos.

E saber que alguém confiou no meu olhar para eternizar um deles… talvez seja a maior recompensa que a fotografia pode me oferecer.

Valeu galeraaa da Turnê Expedição até as próximas edições .

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